
A carreira de Perito Federal Agrário (PFA) foi criada pela Lei 10.550/2002 e é composta atualmente por cerca de 1.300 profissionais, entre ativos e aposentados. É formada exclusivamente por Engenheiros Agrônomos, que compõem o quadro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, espalhados por todo o país.
Os integrantes dessa carreira desempenham atividades fins e exclusivas de Estado, previstas na Constituição Federal, fiscalizando o cumprimento da função social do imóvel rural, em nome do Estado brasileiro. Além da atuação no âmbito do Incra, os PFAs são requisitados por outros órgãos da Administração Pública Federal, para fazer avaliações de imóveis rurais, a exemplo da Secretaria de Patrimônio da União, Funai, Ibama, ICMBio e Ministério Público.
São profissionais capacitados que atuam também na regularização fundiária, na certificação de georreferenciamento de imóveis rurais, na avaliação de imóveis rurais de interesse público, dentre outras funções. Estão entre os produtos do trabalho do PFA o Laudo Agronômico de Fiscalização – LAF, documento base dos decretos de desapropriação da Presidência da República, e o Laudo de Avaliação, documento no qual se atribui o valor da indenização do imóvel a ser desapropriado.
Os Peritos Federais Agrários, com os demais profissionais do sistema CREA/CONFEA, têm um trabalho importante para a governança agrária e soberania nacional do país, e são profissionais essenciais para o cumprimento das atividades finalísticas do Incra, cuja missão precípua é o gerenciamento da Estrutura Fundiária do país.
A discrepância salarial
As carreiras de Perito Federal Agrário (PFA) do Incra e de Fiscal Federal Agropecuário (FFA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA têm a mesma origem no serviço público federal. Até 2000, o salário das duas era idêntico, veja aqui a tabela disponibilizada pelo Ministério do Planejamento.
Hoje, porém, os PFAs recebem apenas cerca de 40% da remuneração dos Fiscais do MAPA. O salário dos PFAs é menor até mesmo que o de um Técnico Agrícola de nível médio do Ministério da Agricultura, e demora em média dez anos para ser igualado. Veja a tabela salarial das duas carreiras abaixo:

* Sobre os valores da remuneração dos Fiscais do Ministério da Agricultura ainda estão previstos mais dois acréscimos de 5%, em 2014 e em 2015. Os FFAs já conquistaram avanços como a redução de níveis e a remuneração por subsídio, ao passo que os PFAs ainda têm 16 níveis na carreira e sua remuneração composta em parte por gratificação. Clique aqui e veja a tabela atual fornecida pelo Ministério do Planejamento.
Comparativos com carreiras assemelhadas
Dentre as carreiras que exigem formação em Engenharia Agronômica, a do PFA é a que apresenta a maior defasagem salarial, pois não teve a reestruturação que tiveram as demais carreiras assemelhadas. Entenda a injustiça: é possível ver, nos gráficos a seguir, a evolução da remuneração do Perito Federal Agrário e das carreiras assemelhadas nos últimos anos.


A situação salarial dos Peritos Federais Agrários é grave e incompatível com o trabalho desempenhado por eles e com a responsabilidade da sua atuação.
Em um tempo de metas expressivas para a gestão da terra, a categoria tem sido propositiva em relação ao seu trabalho e apresentado propostas concretas para a resolução dos problemas hoje enfrentados na sua área de atuação, dada sua expertise para lidar com estas questões. No entanto, isso não se reflete em valorização.
Os PFAs estão desmotivados. Prova disso é a dificuldade do Incra em empossar novos servidores para a carreira, aprovados no concurso do órgão de 2010: muitos sequer tomaram posse e outros não entraram em exercício, mesmo após várias nomeações. Os que já estão no órgão buscam outras oportunidades e o Incra corre o risco de perder significativamente seus recursos humanos na área.

As negociações com o Governo Federal
